Nesse dia eu o J. continuamos a pintar o quartinho do Ratinho e arrumamos as coisinhas, montamos a caminha no nosso quarto. Ainda de manhã fui a casa de banho e o rolhão mucoso tinha aparecido fiquei contente por ter visto que estava tudo a correr como esperado e desejava, fiquei super contente pois pensei logo que ele podia nascer neste dia de Nossa Senhora de Fátima, mas como sabia que o rolhão mucoso podia aparecer e o parto podia ser nesse dia ou daqui a uns dias, avisei o papa e ele disse logo vamos para a maternidade e eu muito calminha disse logo que não pois não era nada de especial só um pequeno aviso de que a grande hora estava para breve. A noite foi bastante calma, dormi muito bem.
No dia 14 de Maio fiz coisas que uma grávida não deve fazer, mas sentia-me com muita adrenalina, muito apressada então fui lavar todas as janelas da casa, queria que tudo estivesse limpinho para a chegada do meu mais que tudo, tirava as janelas super pesadas e levavas para a casa de banho para esfregar tudo e passar com água do chuveiro, só eu para fazer tal coisa. A tarde fomos a farmácia comprar as restantes coisinhas que ainda faziam falta (compressas, discos de amamentação, etc etc). Fomos lanchar a pastelaria do costume e eu lanchei um belo de um compal de pêra com um pão-de-deus cheinho de queijo reforçado pela querida empregada :). Eram para ai umas 19h30 e viemos para casa, o papá foi passear o nosso canito enquanto eu arrumava as coisinhas que tinhamos comprado, de seguida o papá chegou e sentou-se no sofá enquanto eu fui fazer o jantar. O jantar nesse dia era pescada cozida com legumes. Comecei por cortar os legumes e dirigi-me ao frigorífico para tirar os brócolos, o feijão-verde e o peixinho e foi o meu momento mais assustador e mais empolgante da minha vida as águas rebentaram. Dirigi-me ao J. e disse-lhe ele olhou para mim stressado e preocupado (nunca mais me vou esquecer da cara dele), disse-me: - "veste-te, prepara tudo que eu vou chamar um táxi!!!" podia ter telefonado mas ele decidiu ir a rua chamar um. Só visto mesmo foi o dia em que o vi mais stressado e ele por si já é mas aqueles minutos foram demais. Enquanto ele ia chamar o táxi eu super preocupada em manter tudo muito arrumado pois já sabia como iria ser naqueles dias, desliguei o fogão com as panelas ao lume com água que era para o jantar, tomei um duche mas as águas estavam sempre a escorrer pelas pernas abaixo foi mesmo incomodo, pois queria manter-me seca e limpa para ir para a maternidade mas foi coisa muito difícil. Não tinhas dores nenhumas, vesti-me, fiz as minhas orações e esperei pelo J.. Entretanto ele chegou e como sempre foi uma alta história para ele conseguir o táxi fazendo um pequeno resumo, ele via um táxi atirava-se para a frente deles para pararem mas nada o táxi que ele conseguiu foi na praça de táxis onde estava uma senhora a frente dele e ele só disse a senhora: -"Minha senhora a minha mulher vai ter o meu filho, eu preciso mesmo deste táxi" isto foi mesmo em desespero total, o taxista só dizia mas o bebé ainda nasce aqui dentro do táxi, o senhor estava apreensivo não queria levar-nos mas lá cedeu.
Eu desci o J. fechou tudo bem fechadinho e lá fomos nós a caminho da maternidade S.F.X., demoramos 15 minutos, o taxista só olhava pelo retrovisor para ver se eu estava bem, eu só dizia ao J. mas lindo eu não tenho dores nenhumas, pois a minha ideia de ter um bebé era de dor continua mas eu não tinha dor nenhuma.
Chegamos lá por volta das 20h30 e no guiché não estava ninguém mas o J. começou logo aos gritos parecendo que estava a morrer alguém o segurança que estava ao lado olhou para ele, mas tambem não lhe disse nada, a administrativa apareceu e lá me fez a fichinha. Ficamos na sala de espera e o J.. Esperamos uns 10 15 minutos o J. muito stressado foi fumar e mal ele saiu de ao pé de mim chamaram-me para fazer as perguntas e ver se tinha dilatação.
Viram os meus exames, viram com quantos dedos tinha mas ainda só tinha um cm de dilatação, perguntaram-me tudo, deram-me uma bata, uns chinelos, umas cuecas e um clister. E mandaram-me tomar um duche apesar de ter tomado em casa fui logo tomar o duche porque me soube mesmo bem estar em contacto com a água para me relaxar.
Fui ter com J. vestidinha com a bata e ele só me dizia já tas pronta e eu expliquei tudo e que entretanto já o chamavam para entrar e ficar comigo.
Com era dia de lua cheia a maternidade estava super lotada, tive muita sorte pois quando fiz a inscrição depois de mim só entraram mais 4 mamãs e as restantes grávidas que lá estavam foram para outras maternidades, tive mesmo sorte.

Colocaram-me a soro na sala de partos e ligaram-me ao CTG, o J. foi ter comigo e ficamos os dois ali a ver os movimentos e o bater do coração do nosso mais que tudo. Continuava a não ter dor alguma, estava super calma e tranquila e só dizia que o nosso filho iria nascer amanhã de manhã. Mas por volta das 22h30 as contracções começaram muito ligeiras aos poucos sendo mais fortes e eu só ponha em inicio o que tinha apreendido naa aulas PPP. O J. estava sempre a olhar para o CTG e dizia-me amanhã não é?!? Tivemos sempre bem dispostos e muito calmos pois sentimos que estávamos no sitio certo.
Estava com uma sede que nem imaginam, nunca na minha vida tinha passado por tanta secura na minha boca e no meu corpo. Pedi a enfermeira para me dar uma seringa com água ou uma compressa embebida em água e ela lá me deu. Depois perguntou-me se queria epidural e eu sem saber o que responder pois naquela altura não tinha dor nenhuma mas estava com medo de sofrer com as dores futuras e disse que sim e examinou-me estava com 4 cm de dilatação. Como estava muitas parturientes na maternidade e todas a pedirem pelo mesmo. A anestesista nunca mais chegava mas eu tambem não estava com dor alguma para levar uma injecção. Passado uns bons minutos a anestesista chegou com a epidural, olhou para mim e fez-me a mesma pergunta quer epidural? E eu sim! Mandaram sair o J. da sala e disseram para me colocar toda encurvada para me espetar a agulha mas eu não conseguia pois naqueles minutos já estava mesmo na segunda fase do trabalho de parto, mas a anestesista insistia até que eu gritei-lhe e disse não quero epidural preparem tudo que o meu filho vai nascer, quero fazer muita força dizia eu e dizia também para chamar o J. pois acho que sem ele teria sido tudo muito diferente, ajudou-me imenso a presença dele.
O J. entrou e viu-me de pernas abertas a minha frente estava um lavatório e ele dirigiu-se lá para lavar as mãos e as enfermeiras cheias de medo que ele desmaiasse com aquilo que estava a ver mas ele aguenta muito, talvez por ter trabalhado numa urgência de um hospital. Então só dizia ó colega eu aguento, não se preocupe. Estive naquele impasse de dor muito pequenina para a dor muito forte de vontade de fazer muita mas mesmo muita força e não poder e foi ai que comecei a respirar feito cãozinho como a enfermeira das aulas de PPP nos ensinaram.
Até que parteira Fátima chegou e as enfermeiras diziam para elas pensavam que eu não ouvia ( -" Esta vai dar trabalho!!!") Entrei muito na minha e concentrei-me.

Quando elas me disseram faça força quando tiver uma contracção assim foi. Só fazia força quando sentia mesmo a dor mais forte fiz força durante umas 5 6 contracções fortes e entre elas a parteira dizia está a ir muito bem Andrea continue já vejo a cabeça é muito cabeludo. Na minha última contracção fechei os olhos concentrei-me de tal maneira que fui buscar uma força interior que não sabia que ela existia dentro de mim e o meu bebé NASCEU!!!
Colocaram logo em cima de mim enquanto limpavam e o aspiravam. Ele era lindo lindo lindo todo enrrugadito, cheio de penugem, roxito e de olhos abertos. Começou logo a chorar e aquele choro ficou na minha memória para todo o sempre. O J. cortou o cordão do Ratinho e ai é que ele tremeu pois estava com medo de magoar o nosso filhote tentou uma vez não conseguiu depois tentou a segunda e conseguiu só ai deram-lhe os Parabéns por ser Papá.
Veio a parte pior de todo o trabalho de parto a parteira cozeu-me e foi a parte mais dolorosa para mim detesto pontos detesto agulhas e esteve para ali uns 20 minutos a cozer-me mas para mim foi uma eternidade que nunca mais acabava.
E assim foi toda a equipa me deu os Parabéns e me disseram que me portei a altura pois não estavam a espera.

O nosso bebé nasceu no dia 15 de Maio de 2008, pelas 2h40, com 3.120kg e com 47.5cm.
Foi o Dia mais Feliz das Nossas Vidas.
Obrigado por lerem o meu testemunho, beijocas
Andrea
(Imagens tiradas do google)
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